Bem-vindo ao site da APÓS-FURNAS

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Alzira Silva de Souza: uma líder movida pelo humanismo

A minha ligação com a APÓS-FURNAS começou antes mesmo da minha aposentadoria. Em 1983, eu percebi os percalços dos primeiros aposentados, meus colegas de trabalho desde o início de Furnas, em razão dos benefícios defasados. No ano seguinte, esses pioneiros fundaram a entidade e eu notei que havia dificuldades para encontrarem um lugar para as reuniões. Como eu era presidente da Cecremef, com sede própria, abri um espaço em uma sala da cooperativa para que os primeiros associados começassem a desenvolver a organização. Além disso, eles contavam com o total suporte da diretoria da Cecremef.

Para todos que me questionam o porquê de eu ter entrado na Associação, eu afirmo que é porque acredito nos movimentos que nascem das necessidades de defesa de direitos e de manter os vínculos de amizade e interesses comuns. E, ainda, aprecio o trabalho voluntário desses grupos. Seus objetivos me pareciam claros e seu estatuto adequado à época. Depois da minha aposentadoria, atuando como Conselheira na entidade, acompanhei as mudanças estatutárias quando se abria o capítulo à contribuição no processo eleitoral mais adequado à representação e gestão.

Com a adaptação à legislação, observei de perto outras mudanças e a clareza de quanto devemos permanecer lutando pelos nossos direitos, pela FRG e pela própria Furnas, instituidora da Fundação. Esse vínculo é maior do que se fosse apenas Patrocinadora. Sou consciente de sua importância e de que entre acertos e equívocos de suas lideranças, seus dirigentes mais acertaram do que erraram.

A minha afiliação na APÓS-FURNAS ocorreu logo após a minha aposentadoria. Na época, me buscaram em casa para participar da direção da entidade e fui eleita conselheira na AGO de 1991. Fui escolhida Presidente do Conselho Deiberativo e participei das reuniões da Diretoria, visando um rápido aprendizado sobre as ações em curso – administrativas e judiciais – necessárias à defesa dos aposentados e pensionistas.

Com a experiência obtida na Cecremef, onde eu, Sebastião Mattos e outros colegas desenvolvemos sua independência e equilíbrio econômico-financeiro, os amigos de militância pela APÓS-FURNAS acreditavam que eu poderia fortalecer a entidade. Na AGO de 1993, juntamente com profissionais experientes, assumimos a diretoria da APÓS-FURNAS – eu na presidência e o Sebastião como diretor financeiro. Nossa dupla sempre foi bem afinada e realista na busca do crescimento e independência de associações.Entre outras medidas, organizamos melhor o orçamento, dotamos a entidade de quadro de pessoal próprio, criamos o plano de cargos e salários, informatizamos a entidade e implantamos um sistema de controle e de contabilidade. Além disso, elaboramos um boletim informativo, indicamos diversas bancas de advogados experientes para livre escolha dos associados às suas demandas judiciais, contratamos escritórios de direito para ações coletivas. Criamos, ainda, grupos de trabalho para estudos: previdenciários, de saúde e jurídicos e sobre a FRG.

Desde 1988/89, entretanto, a entidade já militava na justiça dando orientação à formação de grupos para ingressar nos tribunais em busca da igualdade e de revisão do INSS. Ampliamos o atendimento às áreas regionais com o apoio de representantes voluntários que capacitamos. Convocamos, ainda, diversas AGEs para debate e decisão de demandas na Justiça quanto a assuntos sérios. Entre os mais polêmicos, estavam o absurdo aumento de custeio de 300% em 1995, e o reajuste a menor da FRG que concedeu, de 29% em vez de 42%. (Nota da APÓS-FURNAS: esta ação declaratória já foi ganha. Agora os membros dos grupos, ou seus herdeiros, devem procurar seu advogado para impetrar uma ação de execução para receber os valores.)

Nossos encontros sociais foram bem-sucedidos e, mesmo com orçamento limitado, fizemos visitas informativas a áreas regionais.

Desde 1993, concorremos para a diretoria da FRG, conscientes de que enfrentaríamos uma máquina para impedir que um aposentado chegasse à gestão da Fundação. A princípio, apenas um diretor seria eleito, entre ativos e aposentados, mas os primeiros, apoiados pelos sindicatos, estavam em maior quantidade que os assistidos, apoiados pela APÓS-FURNAS. Em duas eleições, só não ganhamos por questões de manipulação, que questionamos na Justiça. Mas face à sua lentidão, a ação perdeu seu objetivo. Mesmo assim, conseguimos que fosse retirado um item danoso ao processo eleitoral.

Fui eleita pelos aposentados para dois mandatos consecutivos no Conselho Deliberativo da Real Grandeza e em 2006, os aposentados me elegeram Diretora Representante dos Participantes na Fundação. Em 2008, por um reforma estatutária, passei a ser Diretora Ouvidora, com um Projeto de Ouvidoria.

Como nada se constrói por si só, nossa gestão contou com os associados pioneiros e com aqueles que sempre nos seguiram. Ao longo do caminho, ganhamos e perdemos amigos. Não conquistamos tudo que sonhamos, mas criamos oportunidades e aberturas. Todas as diretorias e conselhos que nos sucederam mantiveram e ampliaram os programas e metas que iniciamos.
Por todos esses motivos, eu valorizo demasiadamente os criadores da APÓS-FURNAS. Eu sei o quanto é difícil constituir uma entidade, colocá-la em operação e levá-la adiante. É uma tarefa para corajosos e abnegados. Abrir caminhos na Justiça, depois de esgotadas ações administrativas, requer um grande senso de responsabilidade e dedicação. Eles criaram os alicerces para existir, hoje em dia, a associação. A APÓS-FURNAS ampliou meu conhecimento quanto aos fundos de pensão, em particular da FRG – juntando-se a isso um novo olhar para a problemática do idoso.

Indicada pela nossa Associação, participei da ANG-Rio e Nacional, nas lutas pelo Estatuto do Idoso. Também pela APÓS-FURNAS, fui para o CEDEPI (Conselho Estadual de Defesa da Pessoa Idosa) como Conselheira Titular, onde se debatiam as questões dos idosos, sua defesa e ações políticas necessárias a dignidade da pessoa de mais idade no núcleo familiar e na sociedade.

Ainda pela entidade, participei e presidi a UNIDAS (hoje Unidasprev), elaborando documentos dirigidos a Câmara de Deputados e ao Senado, organizando palestras, encontros e seminários de interesse das associações.

Furnas, empresa em que trabalhei por mais 33 anos, teve uma importância crucial na minha vida. Até hoje me orgulho de ter trabalhado na empresa, de vê-la nascer e crescer, fazer-se importante a nível nacional e internacional. Numa época em que ainda não se falava em responsabilidade social, Furnas se tornou Instituidora e Patrocinadora da FRG, visando o bem-estar daqueles que se dedicaram a construir a empresa do porte que hoje ela tem.

Então é triste ver aposentados que não têm seus contratos cumpridos e necessitem recorrer aos tribunais. Quando a empresa instituiu a Fundação Real Grandeza, prometia o sonho para os empregados se aposentarem e terem sua dignidade respeitada. Por pressões de governamentais no final da década de 80 surgiram os PPAs (Programa de Preparação para a Aposentadoria). Perdemos a paridade com a ativa, o plano de saúde e seguro, gratificação, e auxílio alimentação. Porém é degradante quererem que abramos mão da nossa dignidade e deixemos de lutar pelos nossos direitos.

A APÓS-FURNAS é a única instituição a defender aposentados e pensionistas, e, por isso, precisa da união de todos para vencer os percalços que vierem. Juntos, lúcidos e coerentes, nós poderemos vencer todas as diferenças que nos afligem. Contamos com lideranças carismáticas de discurso e com conteúdo técnico, e a conquista do sucesso reside em saber compatibilizar essas linhas.

Sozinhos, nada construímos, pois para sermos donos de nosso próprio destino, precisamos aceitar as diferenças e nos conciliar com outro. O contraditório pode, consequentemente, ser uma forma inteligente de resolver questões polêmicas e encontrar as soluções mais adequadas.

“Quando se sonha só, é apenas um sonho, mas quando se sonha com muitos, já é realidade.
A utopia partilhada é a mola da história.”
(D. Hélder Câmara)

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